O Grande Recuo: Trégua Reduz a Pressão Sobre o Petróleo e Fed Mantém o Curso

A nova semana começou com uma grande mudança no cenário geopolítico. Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar que deve pôr fim ao conflito. Segundo o presidente dos EUA, um dos principais pontos do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz, um ponto crítico para o transporte de petróleo. A assinatura está prevista para sexta-feira, na Suíça.
Os mercados reagiram imediatamente, com o WTI despencando quase 5%. Traders e investidores estão retirando o prêmio de risco geopolítico que vinha sendo incorporado às cotações há mais de três meses. No entanto, segundo analistas, a reabertura não é o principal problema neste momento. O programa nuclear iraniano ainda está sujeito a negociações, e Israel continuará suas operações contra o Hezbollah.
Enquanto os riscos geopolíticos diminuem, os mercados agora voltam sua atenção para os dados macroeconômicos e para a inflação. De acordo com as divulgações mais recentes, os preços ao consumidor nos Estados Unidos atingiram 4,2% na comparação anual em maio, muito acima das projeções do Fed, enquanto a inflação no Reino Unido está próxima de 3%, também acima da faixa considerada confortável pelo Banco da Inglaterra. O Fed realizará uma reunião nesta semana, com Kevin Walsh assumindo o comando como novo presidente da instituição. Segundo as expectativas do mercado, o Fed deve elevar os juros uma vez até dezembro de 2026.
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EUR/USD: Dólar Aguarda Sinal do Fed

O par de moedas continua pressionado entre as tensões geopolíticas e a queda dos preços do petróleo. O euro é sustentado pela mudança no sentimento do mercado, mas o panorama fundamentalista mais amplo ainda favorece o dólar americano. O mercado de trabalho dos Estados Unidos continua demonstrando força, enquanto a inflação permanece muito acima da meta do Fed. A economia europeia segue vulnerável, com o choque da estagflação na zona do euro sendo mais intenso do que nos EUA. Os riscos de uma nova escalada no Oriente Médio ainda persistem, o que representa outro fator capaz de pressionar o par de moedas. Portanto, a tendência continua sendo de queda em ambos os cenários.
Do ponto de vista técnico, o EUR/USD tenta romper acima de 1,1600 em meio à desescalada no Oriente Médio, mas o avanço adicional é limitado tanto pelos fatores geopolíticos quanto pelos macroeconômicos. Os traders podem vender abaixo da linha central do indicador Bollinger Bands, mirando 1,1510 e 1,1450. No lado da alta, os traders podem comprar acima de 1,1600, com alvos em 1,1650 e 1,1700.
GBP/USD: O Único Membro Mais Rígido do BoE Enfrenta uma Maré Expansionista

A libra esterlina está em uma posição única entre as principais moedas. O Banco da Inglaterra mantém uma postura contracionista, com um de seus membros tendo votado por uma taxa de juros de 4% na última reunião. Isso ajuda o par de moedas a resistir à pressão do dólar. No entanto, essa resiliência está cada vez mais frágil, à medida que os riscos de uma nova rodada de hostilidades e os dados econômicos decepcionantes do Reino Unido pressionam a libra.
Do ponto de vista técnico, o par tenta se manter acima de 1,3400 e até avançar ainda mais, mas a força do dólar atua como um obstáculo para qualquer movimento adicional de alta. Os vendedores podem entrar abaixo de 1,3400, mirando 1,3300. Os compradores podem atuar acima de 1,3420, com alvo em 1,3500.
Petróleo WTI: Bloqueio Termina, Mas a Ressaca Permanece

As expectativas pela reabertura do Estreito de Ormuz pressionam o WTI e o Brent, à medida que o prêmio de risco geopolítico diminui. O WTI perdeu quase 5% e está sendo negociado próximo de US$80 por barril, um nível não visto desde março de 2026. O prêmio relacionado ao bloqueio está desaparecendo rapidamente. Segundo a AIE, as cadeias normais de abastecimento podem ser restabelecidas em até duas semanas. A decisão da OPEP+ de aumentar a oferta exerce pressão adicional. No entanto, as incertezas ainda oferecem algum suporte aos preços do petróleo.
Do ponto de vista técnico, o WTI está sendo negociado abaixo de US$80 e a pressão está longe de enfraquecer. Os compradores podem tentar entrar no mercado, mas os vendedores estão no controle neste momento, e o preço pode atingir US$75 e até mesmo US$73 no curto prazo.
Ouro: A Operação Mais Frustrante do Mercado

O ouro está preso entre a postura contracionista do Fed e os riscos geopolíticos. As tensões entre Israel e o Hezbollah continuam ativas, e o período de negociações entre os Estados Unidos e o Irã pode não resultar em acordo algum, abrindo espaço para uma nova rodada de hostilidades. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos sustentam uma demanda mais forte pelo dólar, o que representa outro fator de pressão sobre o metal precioso.
Do ponto de vista técnico, o ouro está sendo negociado logo abaixo de 4.350. Um movimento de alta é possível caso esse nível de resistência seja rompido. Nesse cenário, o XAU/USD pode alcançar 4.370 e 4.400. Já no lado da baixa, os traders podem vender abaixo de 4.330, com alvos em 4.300 e 4.280.